Daiane Benso e Heloisa Pacheco
“O que importa hoje, além do sabor e da atratividade dos produtos é a segurança alimentar”. Foram com essas palavras que o doutor da Faculdade Européia da Saúde Pública e Veterinária e da Faculdade de Gestão da Saúde Suína na Alemanha, Thomas Blaha, deu início à sua palestra, durante o Seminário Internacional realizado durante a programação da Expointer nesta terça-feira, 2.
“Sanidade Animal e Segurança Alimentar” foi o tema do workshop promovido pela Câmara Brasil Alemanha e que tratou de questões referentes aos novos aspectos na segurança alimentar e na proteção de animais na Europa. Além disso, foram discutidos os desafios enfrentados pelo Brasil quanto à genética e biossegurança na reprodução de suínos, e também, divulgações de pesquisas alusivas ao consumo de carne e o comércio internacional.
Conforme a orientadora de mestrado e doutorado no Programa Ciências Veterinárias e Microbiologia Agrícola e do Ambiente (UFRGS), Marisa Cardoso, o consumo de carne tem forte relação com o PIB (Produto Interno Bruto). No Brasil o investimento para Ciência e Tecnologia é de apenas 1%. “Comparado à Alemanha o valor destinado às pesquisas é insignificante”.
Outra informação relevante apontada pela orientadora é quanto à perspectiva do crescimento do consumo de carne. Daqui a dois anos, o aumento do consumo de carne será de milhões de toneladas. Já em 2030, estima-se que o número de pessoas que passam fome seja 40% menor do que é hoje, refletindo no poder aquisitivo da população mundial. “A melhora do poder aquisitivo resulta na busca de qualidade dos alimentos” ressalta.
Segundo o alemão Thomas Blaha, até décadas passadas, a confiança dos consumidores nos produtos de gêneros alimentícios de origem animal era baseada na declaração “própria para o consumo”, conferida pelo Estado. Blaha mencionou que a antiga análise funcionou por muito tempo, tendo configurado na história como um dos maiores sucessos na área alimentícia.
Entre os acontecimentos que colaboraram para a mudança dos procedimentos de segurança alimentar está o surgimento de zoonoses, como a salmonela e a “vaca louca”, que abalaram a confiança histórica dos consumidores quanto à certeza da qualidade.
Thomas Blaha completa, “nossos alimentos, hoje, são seguros como nunca, mas também a desconfiança em relação a eles nunca esteve tão forte. E é por este motivo que se faz necessário à mudança de paradigmas quanto aos procedimentos de vistorias dos alimentos”.
O Seminário Internacional “Sanidade Animal e Segurança Alimentar” evidenciou os pré-requisitos necessários ao Brasil, como a mão de obra-qualificada e a qualidade como fator de competição no contexto do mercado mundial para alcançar o patamar ideal e aproximar os contatos comerciais junto à Alemanha.

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