FOTO: Acervo Corlac
TEXTO: Heloisa Pacheco
Inédito no Brasil e pela primeira vez na Expointer é a Aquavit alcarávia. Um bidestilado produzido a partir da batata inglesa. Em Silveira Martins, no interior do Rio Grande do Sul, a Indústria Familiar Santa Eulália lançou a Aquavit, que significa água da vida, inspirado no termo latim aqua vitae. A empresa produz aproximadamente 100 litros por mês. Durante a feira, já foram vendidas cerca de 50 unidades do produto.
O idealizador da cachaça de batata é o diretor sócio e proprietário da cooperativa Indústria Santa Eulália, Felisberto Antônio Rosa Barros. A idéia surgiu a partir da constatação de que apenas 45% da produção de batatas alcançavam o objetivo de vendas nos supermercados.
O restante era considerado impróprio para o consumo, sendo o lixo, o destino principal. Ao pensar no bem comum, e, sobretudo, tendo consciência ecológica quanto à poluição do meio ambiente, foi idealizado a cachaça de batata. Uma maneira barata de transformar o desperdício em lucro.
Em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em 2006, foi criado o fermentado com base no tubérculo. Atualmente, dois doutorados e dois mestrados estudam mais profundamente a bebida. O bidestilado “Aquavit alcarávia” já possui autorização do Ministério da Agricultura, e hoje, dia 4, foi liberado o IPI (Imposto de Produto Industrializado).
Por ser inédito no país, a curiosidade dos visitantes na Expointer está grande. O sabor peculiar surpreende quem degusta: sabor de vodka com suave lembrança da batata. Segundo o diretor-sócio, o bidestilado de batatas deve ser apreciado extremamente gelado. Caso seja ingerido quente, o sabor é do mais puro álcool.
Além do bidestilado de batatas, também produzem outros derivados de batatas, como o próprio etanol, resíduos de batata para alimentação de animais e o adubo folhar. Um fato importante levantado por Barros, é que uma pesquisa realizada pela UFSM constatou que estes resíduos de batatas, se incorporados à ração de gados leiteiros, pode aumentar em até 40% a produção de leite.
Uma opção a mais para os apreciadores da mais antiga e tradicional bebida brasileira, a cachaça, é a empresa do município de Dois Irmãos, a “Dom Braga”, que está presente, há seis anos, na Expointer. Conforme a proprietária do alambique, Patrícia Braga, só no ano passado, durante os nove dias do evento, o lucro foi de seis mil reais. Suas expectativas quanto a essa edição são as melhores. A empresa fabrica quatro tipos de cachaça, sendo duas brancas e as restantes envelhecidas.
E não é só cachaça que os visitantes da Expointer têm a oportunidade de saborear. Delícias como cucas, bolinhos de aipim, salames e licores compõem o amplo cardápio que a feira oferece a quem passeia pelos pavilhões. Segundo a representante da agricultura familiar na feira, Rosângela da Silva Elias, há três anos eles participam da Expointer comercializando licores, e a bebida já têm até clientela fixa.
São diversos tipos oferecidos ao público. Cada paladar, uma sensação única. Ela lembra que todas as bebidas possuem funções terapêuticas. É o caso do licor de babosa, que possui propriedades antiflamatórias, e a canela, com propriedades energéticas. Outros sabores bastante inusitados são os de “gervam”, que é uma erva expectorante, e a “cisentinha”, que colabora para o bom funcionamento do fígado. Por dia, são vendidos, em média, 15 doses do produto.
Para quem prefere provar as delícias de sabores, a comida típica alemã é uma das mais procuradas pelos visitantes. O porquê se encontra na venda dos bolinhos de aipim, os únicos vendidos em toda feira. É o quarto ano que o grupo de mulheres do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, do município de São José do Hortênsio participa.
O sucesso dos bolinhos se confirmam a cada edição. São produzidos, em média, 140 por dia. De acordo com a integrante do Sindicato, Rejani Ireni Bender Klein, “os bolinhos estão sempre fresquinhos”, e saem da panela de hora em hora.
O segredo do “carro-chefe”, Rejani afirma estar no leve toque de vinagre. “O que não permite a absorção total do azeite na fritura”. Os ingredientes para o famoso prato típico alemão são: ovos, cebola, tempero verde, sal e farinha de trigo, sendo o aipim cru ralado, o principal componente.
Típico da serra gaúcha, os vinhos estão entre os produtos mais vendidos. Com a chegada do frio, o consumo desta tradicional bebida a base de uvas, aumenta expressivamente. No Pavilhão da Agricultura Familiar, são encontrados vinhos de todos os tipos, suaves, secos, brancos, tintos. A novidade fica por conta do vinho orgânico, vindo da cidade de Farroupilha, no Rio Grande do Sul.
A principal característica desta bebida figura-se na produção, isto é, na maneira de fabricar, que contempla os métodos mais naturais e saudáveis. Tudo é cuidado para que seja 100% orgânico, desde a adubação da planta até o envasamento. Não há adição de açúcar, nem adoçante, e especialmente, não há a presença de agrotóxico. O vinho orgânico vendido na Expointer possui o Selo de Qualidade do Ministério da Agricultura.
O salame também tem lugar garantido no cardápio das famílias que atravessam os corredores do Pavilhão. No estande de produtos coloniais “Bauerhaus”, já foram vendidos mais de 110 kg de lingüiça defumada, preferência entre os consumidores que procuravam a iguaria típica italiana. A empresa da cidade de Brochier/RS, há 15 anos produz ainda, salame e lombo defumado. Pela segunda vez na feira, a funcionária da empresa, Maria Mith, confirma o saldo positivo do evento em relação ao mesmo período no ano passado.
E para completar o passeio entre as delícias tradicionais, está o famoso chimarrão gaúcho. A “Casa da Erva-Mate”, que está situada em uma das principais avenidas da feira, vende cuias, bombas, mateiras e térmicas; produtos que fazem parte da tradição do povo gaúcho. Há mais de 18 anos participando das edições da Expointer, a família Raber de Palmeiras das Missões, investe aproximadamente 12 mil reais para participar do evento.
De acordo com Leandro Raber, os gastos vão desde a produção de cuias e mateiras, até o frete e a locação do espaço. “Apesar das despesas, lucramos de 30 a 40 mil reais. E mais do que isso, ter os nossos produtos na maior feira agropecuária da América Latina é muito gratificante”, enfatiza.

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