Pedro Orta anima a noite do Acampamento Farroupilha

24 09 2008

Foto: Rodrigo Figueiró
Texto: Marco Aurélio Ruas, Rodrigo Figueiró e Vanessa Fachini

“O povo que não tem raiz,
perde a consciência do destino”

Gabriel Ortaça

Foi na última quinta-feira, dia 18, às vésperas da comemoração mais importante para os gaúchos, 20 de setembro, data em que se relembra o início da Revolução Farroupilha, a mais longa batalha em busca de uma autonomia política do Estado, que um dos principais nomes da música tradicionalista, Pedro Ortaça, subiu ao palco do Centro de Eventos do Acampamento Farroupilha, no Parque Mauricio Sirotski Sobrinho, para festejar com o público presente. Juntamente com a sua banda cantaram e tocaram para mais de duzentas pessoas que prestigiando o evento.

Pedro Ortaça não desapontou o público presente ao tocar seus principais sucessos, como “Bailanta do Tiburciu” e “Timbre de Galo”. São músicas que, segundo o filho Gabriel, gaiteiro que acompanhou o pai na noitada tradicionalista, “não podem faltar nas apresentações”. O show durou uma hora e meia e o público presente, aplaudiu de pé e até pediu bis, prontamente atendido pelo cantor. “É uma satisfação imensa poder tocar aqui, onde se reúne o Rio Grande, e cantar para esse povo maravilhoso. É uma alegria enorme e da cada vez mais vontade de continuar a cantar as raízes e a tradição do RS”, ressaltou Pedro Ortaça.

Um dos jovens seguidores da música e das tradições do RS, Gabriel Ortaça, comentou sobre o avanço das bandas denominadas de Tchê Music. “Existe liberdade de expressão, cada um tem o direito de fazer o que bem entende. Nós cantamos as raízes, a verdadeira música gaúcha, comprometida e de cunho social, que é a missioneira”. Ele ainda lembra que os gaúchos precisam se orgulhar da sua terra e manda um recado:“Jamais esqueçam suas origens, o povo que não tem raiz, perde a consciência do destino”.

O mês de setembro é tradicionalmente o mais cheio na agenda de Ortaça, e no dia 20 de setembro quem recebe o tradicionalista é a população de Francisco Beltrão no, Paraná, onde residem muitos gaúchos.

O cantor missioneiro, Pedro Ortaça, nascido em 1942, no Pontão Santa Maria, distrito de São Luiz Gonzaga, iniciou a carreira por volta dos anos 60, tendo como companheiros e fonte de inspiração, nomes como Noel Guarany, Cenair Maicá e o maior poeta gaúcho, Jayme Caetano Braun, com quem tocou e aprendeu muito. Ortaça tem mais de 10 Cd’s gravados e lançou seu primeiro Dvd, em 2003, gravado nas missões.





Tradicional jogo gaúcho é motivo de confraternização e cultura no Harmonia

13 09 2008

Texto: Rodrigo Figueiró e Eduardo Heerbach
Fotos: Eduardo Heerbach

“O folclore é a essência da
nossa alma e não pode morrer”

Antonio Augusto Fagundes

A tradição gaúcha se espalha pelo Acampamento Farroupilha, no Parque Harmonia, durante o mês de setembro. São muitas as formas de se manter a cultura do Rio Grande do Sul e uma delas está bem presente no Piquete do Truco, mais conhecido como Pitoco, onde os freqüentadores mantêm o hábito de jogar o mais famoso jogo gaudério, o truco.
       
Tudo teve início quando um grupo de mais ou menos dez amigos, ex-colegas de faculdade, voltaram a se encontrar para jogar truco, por volta da década de 70. Foi então no dia 14 de junho de 1983 que este grupo de amigos, fundou o Clube do Truco  Pitoco.
       
“Na verdade o truco para nós é apenas um motivo de reunião, o que realmente buscamos é cultivar a amizade, companheirismo e juntar pessoas que gostem das tradições do RS.” – Relatou João Rodrigues, vice-presidente do clube.
       
Durante o restante do ano, o Pitoco funciona no clube Independente, situado na avenida Protásio Alves e, também, numa sede campestre, em Viamão. Segundo Rodrigues, por não possuir uma sede própria, o número de participantes torna-se limitado. Portanto o interessado em participar das confraternizações deve demonstrar uma real admiração pelas tradições do Rio Grande e a partir daí, ser convidado a integrar-se ao grupo.
       
“O jogo de truco é um jogo divertido, sadio. A motivação nossa era nos reunir para jogar, mas depois passamos a fazer um congraçamento muito grande, fazemos cavalgadas, churrascos e diversos encontros”, comentou Rodrigues
       
O objetivo da entidade é cultuar a tradição gaúcha. Então, preocupado com isso, o clube passou a abrir as portas para a nova geração entrar. Hoje conta com um número de 8 jovens que freqüentam o clube; Um dos representantes da ala jovem é Eduardo Martins, 25 anos, estudante de Agronomia. Ele sempre gostou de truco e, no dia 20 de Setembro de 2005, ao circular pelo acampamento Farroupilha, acabou conhecendo o piquete, onde após um tempo de adaptação, foi convidado a integrar-se ao movimento. Hoje ele é “afilhado” do presidente do clube, Vicente Cardoso.
       
“Esses caras são minha família, são tudo pra mim. Passo grande parte do meu tempo com eles.” – Confidenciou Martins
       
Este já é o décimo ano do piquete no acampamento, isso da uma experiência ao  grupo e credibilidade para conseguir uma das vagas no Parque harmonia.
       
“Nosso galpão é pré-moldado, portanto é o primeiro a ser montado e o primeiro a ser desmontado.” – Disse João.
       
Nos outro meses em que não ocorre o acampamento, os integrantes se reúnem todas segundas feiras, seguindo sempre um protocolo de inicialmente jogar o truco e depois confraternizar com um jantar, geralmente feito por eles mesmo. Após, os aniversariantes são homenageados e os visitantes saudados. A modalidade “truco cego” é a praticada pelos jogadores do clube. Trata-se de uma brincadeira, explicou Rodrigues. E como o truco é tradicionalmente um jogo de homens, os organizadores do clube costumam fazem jantares em datas específicas para levar as suas mulheres e, assim, possibilitar a amizade entre elas, além de participar das confraternizações.
       
O mais famoso integrante e um dos fundadores do Pitoco é Antônio Augusto Fagundes, mais conhecido popularmente como “tio Nico”. Além de ser um dos fundadores, Nico é o patrono do clube e, sempre que possível lá está, incluindo as segundas feiras. Para  ele,  acima de tudo, o Pitoco representa um momento de lazer. E destaca que “o  truco é um jogo extremamente psicológico, onde o homem  revela, o que realmente é. E o Piquete que é nosso clube de Porto Alegre, prova tudo isso”.
       
Dia 20 de setembro, o piquete estará participando, juntamente com os Cavaleiros da Paz, do desfile Farroupilha, que acontecerá nas ruas de Porto Alegre. Tio Nico, ainda aproveitou para deixar um recado especial aos jovens: “Com a invasão do modernismo, o jovem pode ser presa fácil de inovações tecnológicas, que são potencialmente ruins. Já o folclore não, é a essência da nossa alma e não pode morrer”.

O que é o truco?
       
O truco é um tradicional jogo de cartas da América do Sul. Em algumas regiões possui regras diferentes, mas nunca mudando o princípio. No sul do Brasil, utiliza-se o baralho espanhol (truco gaudério ou cego). Pode ser jogado entre duas, quatro ou seis pessoas (no cego pode-se jogar de 3), no qual são divididos em duas equipes diferentes.
       
O jogo entrou no Estado, durante a invasão do Paraguai, lá por Uruguaiana; vieram os castelhanos e os gaúchos passaram a praticar. Foi difundido pelos tropeiros gaúchos.